segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Phantom times

Nas poucas horas ou minutos em que mergulho nas profundezas de meus tímpanos.
Desfruto a solitude do não esperar fazer estar pronta e apta a.
Destino já instante que me cabe apenas ouvir.
Há tanto nem por onde imaginava reencontrar destas notas.
Oniricamente flutuo sendo a ondulação da corda do piano ou sopro saído som de escaleta.
Quero cantar mas é tarde madrugada.
Oivo pois.
As oiça.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

33

com pulmões abertos, poucos pigarros, alguma umidade da chuva de minutos. Penso nos amigos, aqueles de longa data, os passageiros, os instantâneos, os que marcaram muito, os que me acompanham, os de sempre, os que nunca mais vi, nem falei, que nem tenho contato. Sempre me lembro dos amigos no aniversário. Talvez porque sejam meus presentes. Presentes da vida os encontros. Das coisas que mais admiro desta vida são estes encontros, os inesperados e os tão esperados. Sinto falta de muitos destes que fui topando pelos inúmeros lugares que já passei. Por isto costumo dizer que vivo de saudade, pois se fosse morrer de saudade já estaria mortinha. Prefiro viver com ela, assim ela só aumenta minha vida, como cada ano a mais nesta vida. Amigos, queria um abraço e uma pupilada na pupila de cada um de vocês...um papo bom, algumas risadas, uma caminhada e um pouco de música...talvez um suquinho ou um chá e uma vista de agradar os olhos e acalmar o coração. Pedir muito? Com certeza. Mas como diz os ditado: sonhar não custa nada e meu presente sai de graça, pois a memória e o sonho estão aqui à disposição pra eu estar com todos vocês agora. Beijos no coração!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cheiro de arte no ar

Ontem levei o Theo pra conhecer a Usina de Arte João Donato. Vivi 2 anos tão bem vividos horas e horas diárias naquele espaço, e fazia um tempão que não passava por lá. Sabia que estava com as atividades interrompidas devido à mudança de governo, que, infelizmente, sempre dá dessas a cada troca e em se tratando de cultura, pior ainda. Mas o assunto não é política e sim cheiro. E de fato, a Usina ainda cheira arte. Aquele baita espaço lindo. Nossa! como é lindo. Sempre achei, mas desta vez olhei com outros olhos, cujo objetivo era apresentar ao pequeno Theo despretensiosamente uma escola de arte. Mas é mais: é escola, é arte, é um lugar bonito, é cheio de histórias, lendas, cajueiros e mangueiras...e formigas, muitas formigas. O açude sumiu, vi só o mato úmido. Disseram que o jacaré foi embora. Também não havia pessoas, tava tudo meio quieto, um ou outro funcionário, um ventinho suave e aquele solzão básico do verão. Tudo limpinho e desabitado. Mas o que permanecia, e justamente o que me fez andar um tempão com o Theo pra lá e pra cá, foi o cheiro de arte em cada cantinho. Lá estava aguardando para ser inspirado. Cheirinho de criatividade, de gente fazendo ideia virar coisa bonita de se ver, ouvir, cantar, dançar. Agora a melhor das coisas foi saber que este cheirinho vai ter um monte de narizes ávidos a inspirá-lo. Mês que vem a Usina retoma suas atividades, com gente nova, ideias novas, força nova. Seja bem-vinda de volta querida Usina. Você me fez tão bem! Torço para rever aquela plaquinha "Lotação esgotada" logo no balcão de entrada com aquela fila enooooorme de gente de todo tipo. Ver a andança de instrumentos, telas, figurinos, músicas, filmes, risos, a lanchonete funcionando. Toda aquela gente cheirando arte...ô coisa boa!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

mais um passarinho

Mais um passarinho achatou as ventas na janela aqui da sala. Coitado. Acho que ficou bem, ao menos saiu voando. Essa coisa de voar dá nisso vez em quando. A gente sai batendo asas tão livre leve solto pra lá pra cá cantarolando, e naquela mergulhadinha de frio na barriga PEIZ! Dá-lhe vidrão na fuça. Parece a verdade: clara, transparente e na nossa frente, mas a gente não enxerga...quando vê, já foi. Isto nas melhores hipóteses: a de bater e sobreviver, sair voando novamente, ou cair meio atordoado no chão, respirar e retomar o percurso. E quando o vidro está aberto e o passarinho entra janela adentro, voando no desconhecido, tentando desesperadamente sair daquele espaço fechado e sombrio? Como adentrar as entranhas da verdade, debater-se, espernear as asas, achatar a cabeça na clarabóia...ai! a verdade dói. Quem não quiser sentir dor, não voe, ou vire morcego e procure a sua caverna. Já para os cantarolantes passarinhos, pois aproveitem o dia, a brisa, o sol e massageiem a fuça que a verdade está logo aí.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

ainda maio



D. Veriana me disse que o sereno do mês de maio não faz mal. Pelo contrário, faz bem. Se colocar um plástico no relento, deixando-o madrugada à dentro, colhe-se o sereno pela manhã e bota nos olhos doentes. Diz que é um santo remédio. E eu fico de boca aberta. Como se pode saber de coisas deste tipo? Como se pode saber de vento caído, peito aberto, quebranto ou espinhela caída? Como se lê olhos, ouve silêncios, aquieta a língua e abraça com sorrisos? Pois é, acho que isto é sabedoria das grandes, daquelas que só faço ficar com boca aberta tentando entender com minha cachola engarrafada de pensamentos fragmentados, viciados numa lógica racional tão tola que a simplicidade ri.
D. Veriana sempre me deixa de boca aberta. Ela e seu companheiro e outras várias senhorinhas, vizinhas minhas, com seus comentários divertidos e enigmáticos, quase que silenciosos. Como deve ser bom ter mais de 70 anos...estes senhores e senhoras ficam só olhando estes jovens, tipo eu, que até mesmo se crêem velhos, sem tempo, quase que bem resolvidos e sábios, obviamente. Riem da nossa pretensão, afobação, conclusão e (falta de) percepção. Mas com tanta compreensão que o riso acarinha.
Eu amo meus amigos com mais de 70 e que orgulho ter D. Veriana entre eles. Vou botar um plastiquinho lá fora pra mó de colher um sereno abençoado e botar nos olhos, enquanto maio ainda há.

T

quando nada mais me resta além de tudo ao meu redor resta-me sim esperar pois ele o tempo é quem dita as regras e eu não soubera disto antes de não tê-lo assim tão vivo vivo vivo cada v i v o da palavra tempo digo t e m p o da palavra vivo assim se é que me entende ou não importa pois isto não é coisa de entender de sentir tão pouco apenas de saber ser ou ser é a única opção

quarta-feira, 30 de março de 2011

Voltando

Da barriga veio Theo. Mudou-me todinha. Passo a ver passar tão velozmente o tempo. Ver Theo crescer faz ver o tempo agir. Parece que nunca tinha notado de fato o tempo. Parece que nunca tinha sentido de fato a vida. Nunca antes soubera o que é amor. Deste do tipo inimaginável, inefável, indelével, incrível. Esqueci de mim. Ainda bem, eu não era lá estas coisas mesmo, nem vale à pena lembrar. Agora vou sendo e descobrindo-me novamente. A vida é como que outra. Há outra. Eu outra.